São seis crianças e seis desilusões.
São seis pessoas, andando nas calçadas.
e é só...
Seis calejados e um coração
Seis chateados... eterno... sem fim!
São seis amigos precisando de alguém
São seis pessoas que lutam contra mim
são seis...
(Te prendo muito, que sejas livre. te prendo muito, que sejas livre. meu amor... se foi!)
São seis mulheres e seis corações partidos
São seis homens como eu, precisando
De seis pessoas, como você...
e é só...
Valeu por ter sido, seis tentativas,
Doeu por ter tido, seis feridas
E é muito por agora se fazer
seis invernos sem você
E é só... e são seis.
Maurício Heloísio Jr.
DESTAQUES DO OCIOSO
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Não passou
Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.
Carlos Drummond de Andrade
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 23 de fevereiro de 2008
O Casamento
Eu acho que você, ainda não percebeu,
Que o que passou está presente em mim.
Eu acho que você, não quer acreditar!
Eu acho que você, não quer enxergar o amor!
Espero que você, não se arrependa mais...
Espero que você, seja feliz então.
Espero que você, saiba onde ir.
E, quem sabe o amor,
Sorrirá pr’a mim...
Espero que você, não se arrependa mais.
Espero que você, esteja em paz.
Maurício Heloísio S. Jr.
Que o que passou está presente em mim.
Eu acho que você, não quer acreditar!
Eu acho que você, não quer enxergar o amor!
Espero que você, não se arrependa mais...
Espero que você, seja feliz então.
Espero que você, saiba onde ir.
E, quem sabe o amor,
Sorrirá pr’a mim...
Espero que você, não se arrependa mais.
Espero que você, esteja em paz.
Maurício Heloísio S. Jr.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
:::::: CURSO INTENSIVO DE MINEIREZ ::::::
Em virtude do grande número de pessoas que não conseguiram acompanhar o nosso linguajar, vamos dar início ao curso básico de MINEIRÊZZZ . Muito indicado para quem vai viajar para Minas, Goiânia ou Nova Iorque... Esse primeiro módulo, intitulado "MÓDULO I" (dããããã!!!) é básico e o "MÓDULO II" mais avançado... não tente passar para o segundo módulo sem ter gravado bem o primeiro... você corre o risco de não entender nadica de nada...
MÓDULO I: Mineirêzz Básico
* Se alguém implicar com você, diga: LARGA DEU!!
* Se quiser falar da capital de Minas, diga: BERZONT ou BELZONTCH
* Use o "i" no lugar de "e": VISTIDO, MININO, SIGUIDA
* Quando quiser uma confirmação, diga: É MEZZZZZZ?
* Se quiser mostrar algo, diga: ÓI QUI Ó
* Na lanchonete peça: CAFÉZIM CUM PÃ DI QUEJ
* Se não souber o nome de alguma coisa, diga: TREM (TREM serve para tudo, menos para meio de transporte...)
* Se gostar de algo, solte um sonoro: MÁ QUI BELEZZZZZZ!
* Para fazer café, primeiro pergunte: PÓ PÔ PÓ??
* Se o café ficou fraco, pergunte: PÓ PÔ MA POQUIM DI PÓ??
* E na certa ouvirá como resposta: PÓ PÔ, MA PÔ POCO PA MÓDE POPÁ Ó
* Se quiser saber onde está e para onde vai, diga: ON CÔ TÔ E PON CÔ VÔ??
* Se não estiver certo de comparecer, diga: CON FÓ FÔ O VÔ (Essa merece tradução: Conforme for, eu vou...)
* Se tiver algo para fazer antes de ir, diga: VÔ FAZÊ UM NIGUCIM, DISPOIZZZZ VÔ IN SIGUIDA...
* Se gostar de alguma coisa, diga: É BÃO DIMAIZZZ DA CONTA, SÔ!!
* Use sempre dois advérbios para deixar claro que você não sabe: NUMSEI, NÃAAO!!
* Use sempre como diminutivo "im". Quanto mais "m", menor é a coisa: LUGARZIM, BOLIMMM, PIQUININIMMMM, TIQUIMMM...
*No lugar de ponto final, use sempre: SÔ ou UAI...
%\%\%\%\%\%\%\%\%\%\%\%
MÓDULO II: Mineirêzz Avançado (Ixplicadimm por nóis mêzzzz!!!)
* CÊ- Minerímm falano c'ocê...
* QUÉDE- Ó mêz qui cadê... (teim té saitch na internetch!!!)
* PRESTENÇÃO - É quano um miner tá falano mais cê num tá ouvino...
* CADIQUÊ?!?- Assim, tentânu intendê o motivo...
* DEU - O mêz qui "de mim". Ex: Larga deu, sô!!
* SÔ - Fim de quarqué frase. Qué exêmpo, tamém?? Ex: Cuidadaí, sô!!!
* DÓ - O mêz qui "pêna", "cumpaixão". Ex: Ai qui dó, gentch..."
* DI VÉRA?!? - O mêz qui "di verdadi?!?"
* GARRÁDU - O mêz qui "junto".
* NIMIM - O mêz qui "em mim".
* NÓOOO!!! - Num tem nada a ver cum laço pertadu, não!!! É o mêz qui "nossa!!!"
* PELEJÂNU - O mêz qui tentânu. Ex: Tô pelejânu qü'esse diacho, né di hoje!!
* NÉ?! - Né é " num é", né, uai?!?
* TACÁ - O mêz qui "jogar". Ex: "Taquei tudo fora..."
* MINERÍMM - Nativo duistádiminnss...
* I - "E". Ex: Eu i ela...
* É MÊZZZ?!? - Minerím, querênu cunfirmá...
* OÍQUI - Minerím tentanu chamá tenção pralguma coizzz...
* TXÍÍ - O irmão do pai ô dá mãe... ( a espôzz do txíí é a txxííía)
* INTORNÁ - Quando num cabe na vasíía.
* PÃO DI QUÊJJ - Íss cêis sabe, né?!? Cumida fundamentá qui disputa c'ó tutu a preferênça na mezz minêr...
* TUTU - Mistura de farímm di mandioca cum fêjão massadímm. Bom dimais da conta, sô!!
* NNN - Gerúndio do mineirêzz. Ex: "Eles tão brincânnn", "Cê tá innn, eu tô vinnn"
* TRIANGO MINÊR - Região do estado.
* BERABA E BERLÂNDIA - Cidades famosas do Triângo Minêr.
* JIGIFORA - Cidade pertímm do Rio de Janeiro. Confunde a cabeça do minerímm, que num sabe se é carioca...
* PAXÔNEI - Quando tá rastânu um trem assim por alguém...
* ESTAÇÃO - Onde desembarca os minerím c'ás mala... cheia de quêjj!!
* ÓIÓ, TÓ - Olha aí, olha, toma...
* VARGE - Aquê legumi verdch, rico em fibras...
* MAGRELIM - Indivíduo de muito pouco pêzz.
* DEUSDE - Desde. Ex: Eu sou magrelím deusde rapazím"
* NIGUCIM - Qualqué coizz que um minerímm achá piquitimm...
* NÉMÊZZZ - Minerím buscanu concordância c'ás suas idéia...
* ISPÍÍA - Nome da popular revista Veja...
* QUINÉIM - Advérbio de comparação. Ex: É bunita qui dói, quinéim a mãe!!
* ARREDÁ - Verbo na forma imperativa (dânnu órdi!), paricido cum "sair", "deslocar". Ex: Reda pra lá, sô!!
MÓDULO I: Mineirêzz Básico
* Se alguém implicar com você, diga: LARGA DEU!!
* Se quiser falar da capital de Minas, diga: BERZONT ou BELZONTCH
* Use o "i" no lugar de "e": VISTIDO, MININO, SIGUIDA
* Quando quiser uma confirmação, diga: É MEZZZZZZ?
* Se quiser mostrar algo, diga: ÓI QUI Ó
* Na lanchonete peça: CAFÉZIM CUM PÃ DI QUEJ
* Se não souber o nome de alguma coisa, diga: TREM (TREM serve para tudo, menos para meio de transporte...)
* Se gostar de algo, solte um sonoro: MÁ QUI BELEZZZZZZ!
* Para fazer café, primeiro pergunte: PÓ PÔ PÓ??
* Se o café ficou fraco, pergunte: PÓ PÔ MA POQUIM DI PÓ??
* E na certa ouvirá como resposta: PÓ PÔ, MA PÔ POCO PA MÓDE POPÁ Ó
* Se quiser saber onde está e para onde vai, diga: ON CÔ TÔ E PON CÔ VÔ??
* Se não estiver certo de comparecer, diga: CON FÓ FÔ O VÔ (Essa merece tradução: Conforme for, eu vou...)
* Se tiver algo para fazer antes de ir, diga: VÔ FAZÊ UM NIGUCIM, DISPOIZZZZ VÔ IN SIGUIDA...
* Se gostar de alguma coisa, diga: É BÃO DIMAIZZZ DA CONTA, SÔ!!
* Use sempre dois advérbios para deixar claro que você não sabe: NUMSEI, NÃAAO!!
* Use sempre como diminutivo "im". Quanto mais "m", menor é a coisa: LUGARZIM, BOLIMMM, PIQUININIMMMM, TIQUIMMM...
*No lugar de ponto final, use sempre: SÔ ou UAI...
%\%\%\%\%\%\%\%\%\%\%\%
MÓDULO II: Mineirêzz Avançado (Ixplicadimm por nóis mêzzzz!!!)
* CÊ- Minerímm falano c'ocê...
* QUÉDE- Ó mêz qui cadê... (teim té saitch na internetch!!!)
* PRESTENÇÃO - É quano um miner tá falano mais cê num tá ouvino...
* CADIQUÊ?!?- Assim, tentânu intendê o motivo...
* DEU - O mêz qui "de mim". Ex: Larga deu, sô!!
* SÔ - Fim de quarqué frase. Qué exêmpo, tamém?? Ex: Cuidadaí, sô!!!
* DÓ - O mêz qui "pêna", "cumpaixão". Ex: Ai qui dó, gentch..."
* DI VÉRA?!? - O mêz qui "di verdadi?!?"
* GARRÁDU - O mêz qui "junto".
* NIMIM - O mêz qui "em mim".
* NÓOOO!!! - Num tem nada a ver cum laço pertadu, não!!! É o mêz qui "nossa!!!"
* PELEJÂNU - O mêz qui tentânu. Ex: Tô pelejânu qü'esse diacho, né di hoje!!
* NÉ?! - Né é " num é", né, uai?!?
* TACÁ - O mêz qui "jogar". Ex: "Taquei tudo fora..."
* MINERÍMM - Nativo duistádiminnss...
* I - "E". Ex: Eu i ela...
* É MÊZZZ?!? - Minerím, querênu cunfirmá...
* OÍQUI - Minerím tentanu chamá tenção pralguma coizzz...
* TXÍÍ - O irmão do pai ô dá mãe... ( a espôzz do txíí é a txxííía)
* INTORNÁ - Quando num cabe na vasíía.
* PÃO DI QUÊJJ - Íss cêis sabe, né?!? Cumida fundamentá qui disputa c'ó tutu a preferênça na mezz minêr...
* TUTU - Mistura de farímm di mandioca cum fêjão massadímm. Bom dimais da conta, sô!!
* NNN - Gerúndio do mineirêzz. Ex: "Eles tão brincânnn", "Cê tá innn, eu tô vinnn"
* TRIANGO MINÊR - Região do estado.
* BERABA E BERLÂNDIA - Cidades famosas do Triângo Minêr.
* JIGIFORA - Cidade pertímm do Rio de Janeiro. Confunde a cabeça do minerímm, que num sabe se é carioca...
* PAXÔNEI - Quando tá rastânu um trem assim por alguém...
* ESTAÇÃO - Onde desembarca os minerím c'ás mala... cheia de quêjj!!
* ÓIÓ, TÓ - Olha aí, olha, toma...
* VARGE - Aquê legumi verdch, rico em fibras...
* MAGRELIM - Indivíduo de muito pouco pêzz.
* DEUSDE - Desde. Ex: Eu sou magrelím deusde rapazím"
* NIGUCIM - Qualqué coizz que um minerímm achá piquitimm...
* NÉMÊZZZ - Minerím buscanu concordância c'ás suas idéia...
* ISPÍÍA - Nome da popular revista Veja...
* QUINÉIM - Advérbio de comparação. Ex: É bunita qui dói, quinéim a mãe!!
* ARREDÁ - Verbo na forma imperativa (dânnu órdi!), paricido cum "sair", "deslocar". Ex: Reda pra lá, sô!!
domingo, 17 de fevereiro de 2008
O Caminho da Boa Esperança
A vida passa lentamente
Como um longa metragem dos anos cinqüenta.
Igual a um jogo de video-game
Igual as chuvas de verão.
A vida é uma viagem
A vida é diversão
A vida é dias de sol no litoral
Até que a vida não é tão mal assim.
Os sonhos nascem, na crença e na esperança,
Numa criança com dois meses de vida,
E num velho com oitenta anos de idade.
E vaidade, que deixamos lá fora
Perdeu-se no caminho do amor
E a esperança ela reencontrou.
A vida é uma viagem
A vida é diversão
A vida é dias de sol no litoral.
Até que a vida não é tão mal assim...
Quando tem alguém do seu lado
Pr’a partir esperanças
Esquecer vinganças
E saber doar o amor
Boa esperança!
Maurício Heloísio Jr.
Como um longa metragem dos anos cinqüenta.
Igual a um jogo de video-game
Igual as chuvas de verão.
A vida é uma viagem
A vida é diversão
A vida é dias de sol no litoral
Até que a vida não é tão mal assim.
Os sonhos nascem, na crença e na esperança,
Numa criança com dois meses de vida,
E num velho com oitenta anos de idade.
E vaidade, que deixamos lá fora
Perdeu-se no caminho do amor
E a esperança ela reencontrou.
A vida é uma viagem
A vida é diversão
A vida é dias de sol no litoral.
Até que a vida não é tão mal assim...
Quando tem alguém do seu lado
Pr’a partir esperanças
Esquecer vinganças
E saber doar o amor
Boa esperança!
Maurício Heloísio Jr.
O sonho é popular
a pampa é pop
o país é pobre
é pobre a pampa
(o PIB é pouco)
o povo pena mas não pára
(poesia é um porre)
o poder
o pudor
VÁRIAS VARIÁVEIS
o pão
o peão
GRANA, ENGRENAGENS
a pátria
à flor da pele
pede passagem...PQP
o sonho é popular
eu li isso em algum lugar
se não me engano é Ferreira Gullar
falando da arquitetura de um Oscar
o concreto paira no ar
mais aqui do que em Chandigarh
o sonho é popular
UMA PÁGINA ARRANCADA
UM SEGREDO MANTIDO
EM PASSAGENS SUBTERRÂNEAS
SOB A PRAÇA DA MATRIZ
UMA HISTÓRIA MAL CONTADA
UMA MENTIRA REPETIDA
ATÉ VIRAR VERDADE
(UMA PÁGINA VIRADA)
UMA PÁGINA SUBTERRÂNEA
UM SEGREDO ARRANCADO
EM PASSAGENS MAL CONTADAS
ATÉ VIRAR VERDADE
A VERDADE A VER NAVIOS
UMA MENTIRA REPETIDA
NUMA PÁGINA QUALQUER
UM GOLPE EM 61
UM GOLPE QUALQUER
NUM LUGAR COMUM.
Humberto Gessinger
o país é pobre
é pobre a pampa
(o PIB é pouco)
o povo pena mas não pára
(poesia é um porre)
o poder
o pudor
VÁRIAS VARIÁVEIS
o pão
o peão
GRANA, ENGRENAGENS
a pátria
à flor da pele
pede passagem...PQP
o sonho é popular
eu li isso em algum lugar
se não me engano é Ferreira Gullar
falando da arquitetura de um Oscar
o concreto paira no ar
mais aqui do que em Chandigarh
o sonho é popular
UMA PÁGINA ARRANCADA
UM SEGREDO MANTIDO
EM PASSAGENS SUBTERRÂNEAS
SOB A PRAÇA DA MATRIZ
UMA HISTÓRIA MAL CONTADA
UMA MENTIRA REPETIDA
ATÉ VIRAR VERDADE
(UMA PÁGINA VIRADA)
UMA PÁGINA SUBTERRÂNEA
UM SEGREDO ARRANCADO
EM PASSAGENS MAL CONTADAS
ATÉ VIRAR VERDADE
A VERDADE A VER NAVIOS
UMA MENTIRA REPETIDA
NUMA PÁGINA QUALQUER
UM GOLPE EM 61
UM GOLPE QUALQUER
NUM LUGAR COMUM.
Humberto Gessinger
Acordar, viver
Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.
Carlos Drummond de Andrade
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
O Último Poema
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Manuel Bandeira
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Manuel Bandeira
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Majestic - Capitulo II
Eram cinco e dezessete da manhã de segunda-feira, quando o telefone de Victor Marteli tocou.
- Detetive Victor: preciso de você na Rua França em Contagem imediatamente, após o cruzamento com a Rua Itália. Um assassinato, no mínimo estranho aconteceu ali.
A voz do delegado, José Albuquerque, parecia mais preocupada que a de costume e alerta demais para àquela hora da manhã.
Ainda meio sonolento, praguejando contra o horário, contra a segunda-feira e contra aquela chuva torrencial, Victor se apressou, vestindo sua calça jeans preta desbotada, sua bota, uma camisa Hering branca e sua jaqueta de couro. Tomou um copo de café com leite e entrou dentro do seu Niva vermelho, saindo o mais rápido que pode de sua residência, uma modesta casa, na diferente Rua Tapira(5), quase esquina com a Rua Taquari, no bairro Renascença em Belo Horizonte. Ainda teria que atravessar toda a capital mineira para chegar ao local do crime.
- Será uma segunda-feira longa... – desabafou Victor.
De posse de seu GPS não foi difícil encontrar o local do crime. Eram seis e vinte e oito da manhã quando Victor avistou três viaturas da polícia, um rabecão e meia dúzia de curiosos na cena do crime. Parou seu carro no lado oposto da calçada. Ainda chovia, porém bem menos agora. O corpo estava sob uma lona amarela, aguardando a sua chegada(6).
- Duas facadas certeiras, senhor. – comentou o legista – Uma no pescoço e outra no meio do peito.
- Quero ver os documentos, saber da vizinhança se alguém escutou algo e levantar toda a vida da vitima. Por gentileza, quero ver o corpo.
- Sim, senhor! Tião, Roberto! Mostrem ao detetive o finado. O Assassino deixou um recado nele, senhor.
Retiraram a lona que cobria o cadáver e foi revelada uma face congelada, espantada. Victor detestava essas horas, sempre pensava nas famílias. Menos mal. Dar a notícia não era sua praia.
- Que porra é essa na testa desse cara?! Quero as fotos! Agora.
- Deixe comigo, senhor. – Respondeu um policial, levando em sua moto uma câmera. – Em meia hora estará em sua mão.
Na companhia de Victor, estava o tenente Rodrigues, responsável pelo setor de inteligência da Polícia. Um homem gordo, moreno, cabelos crespos e raspados com máquina dois. Tinha um ar bonachão, que escondia toda sua aptidão de estrategista.
- Caro Victor. Levantei a ficha desse rapaz e fiquei surpreso. Era um rapaz que eu aceitaria como genro! – Brincou Rodrigues, apesar de não ter filhos. – Nenhuma passagem pela polícia, formado em Ciências Geológicas pela The Ohio State University(6), vinte nove anos. Vivia no Arizona e havia vindo ao Brasil visitar os pais. Sua volta estava marcada para vinte e sete de fevereiro.
- Puta Merda! Estamos falando de um cara que se formou no USA e veio ao Brasil para morrer? Quer é isso? Ele era viciado, alguma coisa assim?
- Não sabemos. Sua família está em choque, vamos colher essas informações hoje ainda, mas será ao decorrer do dia.
- E quanto à marca em sua testa. Sabe o que é aquilo?!
- Sei apenas que estava escrito TSEOM. Nunca vi nada parecido, talvez possa ser as iniciais do assassino.
- Talvez sim, talvez não...
Clique nos links abaixo e veja Google Earth os locais das cenas do livro:
Cena 5 - Livro Majestic - Cena 005
Cena 6 - Livro Majestic - Cena 006
- Detetive Victor: preciso de você na Rua França em Contagem imediatamente, após o cruzamento com a Rua Itália. Um assassinato, no mínimo estranho aconteceu ali.
A voz do delegado, José Albuquerque, parecia mais preocupada que a de costume e alerta demais para àquela hora da manhã.
Ainda meio sonolento, praguejando contra o horário, contra a segunda-feira e contra aquela chuva torrencial, Victor se apressou, vestindo sua calça jeans preta desbotada, sua bota, uma camisa Hering branca e sua jaqueta de couro. Tomou um copo de café com leite e entrou dentro do seu Niva vermelho, saindo o mais rápido que pode de sua residência, uma modesta casa, na diferente Rua Tapira(5), quase esquina com a Rua Taquari, no bairro Renascença em Belo Horizonte. Ainda teria que atravessar toda a capital mineira para chegar ao local do crime.
- Será uma segunda-feira longa... – desabafou Victor.
De posse de seu GPS não foi difícil encontrar o local do crime. Eram seis e vinte e oito da manhã quando Victor avistou três viaturas da polícia, um rabecão e meia dúzia de curiosos na cena do crime. Parou seu carro no lado oposto da calçada. Ainda chovia, porém bem menos agora. O corpo estava sob uma lona amarela, aguardando a sua chegada(6).
- Duas facadas certeiras, senhor. – comentou o legista – Uma no pescoço e outra no meio do peito.
- Quero ver os documentos, saber da vizinhança se alguém escutou algo e levantar toda a vida da vitima. Por gentileza, quero ver o corpo.
- Sim, senhor! Tião, Roberto! Mostrem ao detetive o finado. O Assassino deixou um recado nele, senhor.
Retiraram a lona que cobria o cadáver e foi revelada uma face congelada, espantada. Victor detestava essas horas, sempre pensava nas famílias. Menos mal. Dar a notícia não era sua praia.
- Que porra é essa na testa desse cara?! Quero as fotos! Agora.
- Deixe comigo, senhor. – Respondeu um policial, levando em sua moto uma câmera. – Em meia hora estará em sua mão.
Na companhia de Victor, estava o tenente Rodrigues, responsável pelo setor de inteligência da Polícia. Um homem gordo, moreno, cabelos crespos e raspados com máquina dois. Tinha um ar bonachão, que escondia toda sua aptidão de estrategista.
- Caro Victor. Levantei a ficha desse rapaz e fiquei surpreso. Era um rapaz que eu aceitaria como genro! – Brincou Rodrigues, apesar de não ter filhos. – Nenhuma passagem pela polícia, formado em Ciências Geológicas pela The Ohio State University(6), vinte nove anos. Vivia no Arizona e havia vindo ao Brasil visitar os pais. Sua volta estava marcada para vinte e sete de fevereiro.
- Puta Merda! Estamos falando de um cara que se formou no USA e veio ao Brasil para morrer? Quer é isso? Ele era viciado, alguma coisa assim?
- Não sabemos. Sua família está em choque, vamos colher essas informações hoje ainda, mas será ao decorrer do dia.
- E quanto à marca em sua testa. Sabe o que é aquilo?!
- Sei apenas que estava escrito TSEOM. Nunca vi nada parecido, talvez possa ser as iniciais do assassino.
- Talvez sim, talvez não...
Clique nos links abaixo e veja Google Earth os locais das cenas do livro:
Cena 5 - Livro Majestic - Cena 005
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