Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
DESTAQUES DO OCIOSO
terça-feira, 29 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
Canto do Povo de um Lugar
Todo dia o sol se levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde
Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite
Caetano Veloso
E a gente canta
Ao sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde
Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite
Caetano Veloso
domingo, 13 de abril de 2008
Não Bata à Minha Porta
Um dia olhei pela janela
Percebi a sorte
No outro lado da rua
Sorrindo de mim.
Alguém vai ler
Alguém vai rir
Alguém vai odiar
Ninguém vai crer
(No que se passa em mim)
É muita dor
E mil tormentos
Um dia de calma
Em vários remédios
E daí?!
Quem se importa?
Cada qual com seus problemas
Não bata à minha porta.
Maurício Heloísio Jr.
Percebi a sorte
No outro lado da rua
Sorrindo de mim.
Alguém vai ler
Alguém vai rir
Alguém vai odiar
Ninguém vai crer
(No que se passa em mim)
É muita dor
E mil tormentos
Um dia de calma
Em vários remédios
E daí?!
Quem se importa?
Cada qual com seus problemas
Não bata à minha porta.
Maurício Heloísio Jr.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Do Outro Lado do Lago
Sete horas da manhã.
Mais uma manhã?!
Ah! Manhã...
Amanhã!
Que diferença faz?
Não há paz.
Eu não existo.
Ninguém me vê...
Não quero enfrentar meu inferno.
Sou forte, penso; levanto.
Vou ao encontro da morte,
Será azar ou boa sorte?
O que quero de mim?
E o que querem de mim?
O que faço por você?
E o que fazem por mim?
Minha esperança fugiu
E levou minha vida.
Agora irradio tristeza,
Sangue, suor e dor.
Ainda tenho fé.
Como consigo isso?
Imagino um dia estar
Do outro lado do lago.
Maurício Heloísio Jr.
Mais uma manhã?!
Ah! Manhã...
Amanhã!
Que diferença faz?
Não há paz.
Eu não existo.
Ninguém me vê...
Não quero enfrentar meu inferno.
Sou forte, penso; levanto.
Vou ao encontro da morte,
Será azar ou boa sorte?
O que quero de mim?
E o que querem de mim?
O que faço por você?
E o que fazem por mim?
Minha esperança fugiu
E levou minha vida.
Agora irradio tristeza,
Sangue, suor e dor.
Ainda tenho fé.
Como consigo isso?
Imagino um dia estar
Do outro lado do lago.
Maurício Heloísio Jr.
A Um Ausente
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
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